A cidade do Botox | Super

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O Botox coreano – e uma tribo na Justiça

Grace era uma mulher que não tinha medo de ninguém, e com razão. Sua dinastia, os Ó Máille (em inglês, O’Malley), dominava o oeste da Irlanda há quase oito séculos. Eles eram comerciantes e piratas implacáveis, que fundaram Westport e transformaram a vila no centro de seus vários negócios: além de comprar e vender mercadorias na Europa, os O’Malley saqueavam navios e forçavam pescadores ingleses a pagar tributos. Quando o conflito com a Inglaterra apertou, Grace ofereceu três navios e 200 soldados “de presente”, como trégua – mas, ao mesmo tempo, continuou a pilhar os navios ingleses. Em 1593, a Inglaterra capturou dois filhos de Grace. Ela foi buscá-los direto com a rainha Elizabeth 1a, sem se curvar na presença da monarca (e, diz a lenda, tendo levado uma faca para o encontro). Após a morte de Grace, em 1603, os ingleses foram ampliando seu poder sobre a Irlanda, que acabou brutalmente dominada – durante a Guerra dos Três Reinos, que durou de 1639 a 1651, quase 30% dos irlandeses foram mortos. 

Eles só teriam forças para desafiar novamente a Inglaterra em 1919, quando um grupo civil que se intitulava Exército Republicano Irlandês (IRA) começou a organizar emboscadas contra tropas inglesas, incluindo duas na região de Westport. O conflito terminou em 1921, com a divisão do país em dois: a Irlanda do Norte, independente, e a Irlanda, parte do Reino Unido. O IRA voltou a realizar ataques nos anos 1970, mas acabou entregando as armas e indo para a política. Seu partido, o Sinn Féin (“nós mesmos”, em irlandês), foi o mais votado nas eleições parlamentares de 2020 após defender a reunificação e independência da Irlanda. Um de seus simpatizantes é o flautista Matt Molloy, dono do principal pub de Westport, que se orgulha de abrir, com música ao vivo, 363 dias por ano. O bar só não funciona no Natal e, justamente, na Good Friday: data do acordo de paz entre o IRA e a Inglaterra, assinado em 1998.

Hoje Westport não tem guerra civil, mas ainda tem pirataria – dirigida a seu maior tesouro. Em 2013, a Allergan se associou à Medytox, empresa farmacêutica que comercializa a toxina botulínica na Coreia do Sul. A parceria correu bem por alguns anos até que outra empresa coreana, a Daewoong, lançou um concorrente do Botox: ele se chama Jeauveau, e recebeu a aprovação da FDA no ano passado. A Allergan não gostou, foi à Justiça acusar a outra empresa de pirataria. Segundo ela, um funcionário da Medytox teria levado segredos industriais, e uma amostra roubada da toxina (que poderia ser analisada e copiada), para a Daewoong. O processo está sendo julgado pela International Trade Commission (ITC), uma corte de arbitragem sediada nos EUA, e teve uma reviravolta inacreditável. Em 2019, o juiz David Shaw determinou que o único jeito de saber se a Daewoong estava ou não pirateando a Allergan seria obrigar ambas as empresas a revelarem o processo de produção de suas respectivas toxinas. Ou seja, exatamente o que a fabricante do Botox menos quer. O vazamento dessas informações poderia ser catastrófico para a empresa, pois abriria caminho para o surgimento de uma série de novos clones do Botox (que mais laboratórios aprenderiam a fabricar).

A Allergan recorreu da decisão e aguarda o veredicto final, que estava previsto para 5 de junho – mas, por conta da pandemia, ficou para novembro. Em 2017, aliás, a empresa ficou famosa por uma manobra jurídica sem precedentes. Ela corria risco de perder a patente do colírio Restasis, que é usado para tratar casos graves de secura ocular. Acontece que esse colírio nada mais é do que uma solução com 0,05% de ciclosporina, um anti-inflamatório imunossupressor que é usado desde os anos 1980 e já entrou na lista de medicamentos genéricos. Vários fabricantes de remédios foram à  Justiça dos EUA para quebrar a patente do Restasis, e poder lançar versões genéricas do colírio (que custa US$ 700 por mês de tratamento). Então a Allergan transferiu a patente para uma tribo indígena: os Mohawk da reserva de Saint Regis, no Estado de Nova York.

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Para não perder a patente de um colírio, o fabricante teve uma ideia radical: dar a fórmula dele de presente a um povo indígena. Leonardo Yorka/Superinteressante

Pela lei americana, os índios têm um certo grau de imunidade jurídica, e isso inclui seu patrimônio. Ao dar as patentes de presente para os Mohawk, a Allergan evitou que elas fossem quebradas. Passou a licenciar o colírio dos índios, e pagar US$ 15 milhões em royalties anuais para eles. Uma migalha perto do faturamento do Restasis, que passa de US$ 1 bilhão por ano.

O caso gerou escândalo, atraiu a atenção da mídia e do Congresso dos EUA, onde quatro senadores divulgaram uma carta exigindo explicações da empresa. “A carta dos senadores é incorreta quando diz que houve uma tentativa de proteger [a patente do Restasis]”, declarou o executivo Brent Saunders, CEO da Allergan na época. “É o contrário.”

A Suprema Corte dos EUA não concordou com isso, e em 2019 anulou o acordo entre os nativos e a Allergan, abrindo caminho para os colírios genéricos (o primeiro deles, fabricado pelo laboratório Teva, já foi lançado no Canadá, mas ainda não está disponível nos EUA).

Saunders pode não ter conseguido o que queria, mas ganhou tempo: retardou o lançamento dos colírios genéricos, prolongando o faturamento bilionário da Allergan. Também não descuidou de si próprio. Em 2019, prevendo o que poderia acontecer após a fusão com a AbbVie (que é maior, e por isso irá assumir a chefia da nova empresa), aprovou um planejamento orçamentário bastante generoso – pelo qual receberia US$ 38,7 milhões ao sair da Allergan. Acabou, de fato, perdendo o posto (foi substituído por Rick Gonzales, da AbbVie), mas deve estar sorrindo de orelha a orelha. E, provavelmente, sem pés de galinha: em 2015, ao ser empossado na Allergan, ele recebeu suas primeiras injeções de Botox, na frente de 800 funcionários. “Minha esposa disse que ficou muito bom”, declarou na época.

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Em Westport, por outro lado, ninguém liga para as rugas: na cidade, onde metade da população tem mais de 40 anos, nenhuma clínica aplica Botox.

Fonte: https://super.abril.com.br/especiais/a-cidade-do-botox/


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