Uso da toxina botulínica na síndrome miofascial

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Médica Interna de Formação Específica de Medicina Física e de Reabilitação, CHUSJ

Médico Interna de Formação Específica de Medicina Física e de Reabilitação, CHUSJ

Publicado em 11 de agosto de 2020

A toxina botulínica é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Esta toxina atua ao inibir a libertação de acetilcolina na junção neuromuscular(1). Existem 7 serótipos diferentes, sendo que a toxina botulínico tipo A é a que tem maior interesse clínico.

Nas últimas duas décadas, a eficácia e o perfil de segurança bem tolerado da toxina botulínica fizeram com que os seus usos clínicos aumentassem, tanto a nível terapêutico como no âmbito da estética.

Atualmente, tem indicação para ser injetada diretamente no músculo esquelético afetado, para o tratamento de distonia cervical, espasmo hemifacial, blefarospasmo e espasticidade do adulto no membro superior e no inferior após acidente vascular cerebral e da criança com idade igual ou superior a dois anos, mas apenas no membro inferior.

No músculo liso, a sua injeção tem como indicações a hiperatividade neurogénica do detrusor e a hiperatividade idiopática da bexiga. Está também indicada na hiperfunção de glândulas exócrinas, como acontece nos casos da sialorreia e da hiperhidrose axilar.

Para além de todas estas indicações aprovadas, a toxina botulínica é ainda usada em algumas indicações off-label, como, por exemplo, disfonia espamódica, tremor, dissinergia do esfíncter do detrusor e hiperhidrose palmar ou plantar(2).

Mais recentemente, têm decorrido estudos para esclarecer o papel da toxina botulínica em distúrbios relacionados com dor(2). Esta tem indicação na enxaqueca crónica desde 2010 e tem sido usada off-label no tratamento de osteoartrite, dor neuropática, lombalgia e síndromes miofasciais.

A síndrome miofascial associa-se a dor aguda ou crónica, com sintomas autonómicos, sensoriais e motores, originados a partir de trigger points ativos(3,4).

Tem uma prevalência entre 30 e 90%(3), com maior atingimento da população feminina, entre os 30 e os 50 anos. Pode afetar qualquer músculo ou grupo muscular, sendo os mais comummente afetados os músculos cervicais posteriores, o músculo esternocleidomastóideo, o músculo trapézio, o músculo elevador da omoplata e os músculos posturais axiais(3,4).

O tratamento é dirigido à dessensibilização das estruturas hipersensíveis, inicialmente com programas de MFR, com intervenção de múltiplos agentes, como a massagem ou a eletroestimulação, mas em estádios mais avançados com a punção dos trigger-points, seja uma punção seca ou com infiltração de substâncias anestésicas locais ou de toxina botulínica(3).

Nas últimas duas décadas, a eficácia e o perfil de segurança 
bem tolerado da toxina botulínica fizeram com que os seus usos clínicos 
aumentassem, tanto a nível terapêutico como no âmbito da estética.

Os anestésicos locais são os fármacos mais utilizados, mas dada a sua curta duração de ação podem cursar com recorrência precoce da crise álgica. O alívio prolongado da dor é importante, pois, permite o relaxamento do músculo acometido por tempo suficiente para a recuperação do doente(5).

Tem sido feita crescente investigação sobre esta temática, nomeadamente sobre a aplicabilidade da toxina botulínica nesta patologia. A toxina botulínica atua na diminuição do processo de nociceção, via inibição de libertação de acetilcolina, levando à interrupção do ciclo espasmo-dor(3). A sua ação inicia-se dias a semanas após a infiltração, durando entre 6 semanas e 6 meses( 5).

Efetivamente, há evidência de que se associa a uma melhoria na intensidade e duração da dor na síndrome miofascial, havendo, contudo, evidência limitada para suportar o seu uso disseminado na prática clínica(3).

Nota: São coautoras deste artigo Ana Isabel Silva e Sílvia Magalhães (Especialistas de MFR, CHUSJ).

Referências bibliográficas:

1. Simpson D, Zakin E. Evidence on botulinum toxin in selected disorders, Toxicon (2018), doi: 10.1016/j.toxicon.2018.01.019.
2. Elena Fonfria, Jacquie Maignel, Stephane Lezmi, Vincent Martin, Andrew Splevins, Saif Shubber, Mikhail Kalinichev, Keith Foster, Philippe Picaut and Johannes Krupp. The Expanding Therapeutic Utility of Botulinum Neurotoxins. Toxins 2018, 10, 208; doi: 10.3390/toxins10050208.
3. Soares A, Andriolo RB, Atallah ÁN, da Silva EMK. Botulinum toxin for myofascial pain syndromes in adults. Cochrane
Database of Systematic Reviews 2014, Issue 7. Art. No.: CD007533. DOI: 10.1002/14651858.CD007533.pub3.
4. Afonso C, Jacinto J. Síndrome Miofascial: diagnóstico e abordagem de MFR. Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação. Vol 17. 2009.
5. Unno E, Sakata R, Issy A. Comparative study between botulin toxin and bupivacaine for triggering points infiltration in chronic myofascial syndrome. Rev Bras Anestesiol 2005; 55:2:250-255.

Artigo publicado na LIVE Medicina Física e de Reabilitação 14.


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